O que está a acontecer no Irão?

Neste momento, uma guerra pelos direitos humanos está a ocorrer no Irão e é comandada por mulheres iranianas corajosas.

O que está a acontecer no Irão?

 

Tudo começou com a morte de Mahsa Amini, que estava detida por alegada violação da lei rigorosa do hijab no Irão. Mas o foco dos protestos passou a abranger desde a repressão estatal e a instabilidade económica até à polícia moral do país, que prendeu Amini e é acusada de impor o código de vestuário conservador do país.

Mahsa Amini, de 22 anos, foi brutalmente assassinada pela Polícia da Moralidade do Irão por mostrar o seu cabelo… A Polícia da “Moralidade”, estabelecida pelo regime político, tem como alvo mulheres e raparigas que usam “roupa imprópria”. Estas detenções arbitrárias incluem frequentemente abuso verbal, violência física e sexual, tortura e homicídio. Esta é uma das muitas formas do regime violar os direitos humanos. No Irão, as mulheres e as raparigas são cidadãs de segunda classe.

O assassinato de Mahsa tem desencadeado protestos internacionais. As mulheres iranianas estão a cortar o cabelo curto e a queimar os seus hijabs em protesto. Em todo o mundo, as mulheres também estão a cortar o cabelo em solidariedade e apoio. A população está a impor-se contra o regime totalitário, gritando “Deixem as mulheres ter a sua liberdade”, “Morte ao ditador”, “Matarei quem quer que tenha matado a minha irmã” e muito mais.

Protestantes (principalmente mulheres, mas também homens e crianças) estão atualmente a ser violentamente atacados, raptados, e mortos pelas forças do Estado.

Estas manifestações contra a morte de Amini levaram a violentas retaliações policiais, com detenções, espancamentos, e o assassinato de pelo menos 52 pessoas, embora as organizações de direitos humanos digam que o número é muito superior. As forças de segurança do Irão têm um historial de utilização da violência e de brutalidade para suprimir as diferenças de opinião. Em muitos casos, as autoridades dispararam sobre os manifestantes nas ruas. Também houve interrupções e suspensões na Internet de modo a cortar as comunicações com o mundo exterior.

Porque é que a morte de Amini desencadeou protestos tão intensos e perigosos por todo o país?

A população tem muita frustração acumulada com o regime, e foi necessário um assassinato violento e injusto, como o assassinato de Mahsa Amini, para suscitar um movimento de protesto em massa.

Os protestos de hoje representam um movimento em prol da liberdade. É um movimento que luta pelos direitos das mulheres, mas também sobre resistência à violência contra as mulheres e resistência à repressão política. Numa altura em que assistimos a uma regressão da liberdade das mulheres em todo o mundo, as mulheres iranianas assumiram a liderança na luta pela liberdade política. Os protestos em memória de Mahsa Amini e de todos os outros manifestantes que sacrificaram as suas vidas servem como um poderoso apelo à ação, especialmente porque as próprias mulheres são agora as forças da mudança.

Onde é que estes protestos podem levar?

Este é um momento de ponderação, um momento para o país e o mundo dizerem: “Estamos na luta correta”. É uma luta não apenas contra um homicídio desnecessário, mas contra muitos. Não é só uma luta para as mulheres terem escolha no que vestem, na forma como falam e no que fazem. É um apelo à liberdade e à libertação, um movimento que permitirá às pessoas recuperar o processo político e definir o futuro do seu país. Há muita coisa em jogo. O nível de intensidade dos protestos é, neste sentido, inteiramente justificado. A resolução e determinação imperturbável dos iranianos nestas manifestações não têm sido replicadas noutras iterações de dissidência política desde 1979.

Os manifestantes iranianos não estão a recuar

Mesmo com a repressão governamental e o número crescente de mortes, a agitação do país não mostra sinais de abrandamento.

O QUE PODEMOS FAZER

O povo iraniano está a implorar ao resto do mundo para amplificar as vozes daqueles que estão a ser silenciados. A mãe de Mahsa Amini disse: “Que o mundo saiba que eles mataram a minha filha”.

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HERSTORY Makes History 04, Outubro 2022