A vida das mulheres Afegãs depois de 1 ano sob o Talibã

Fez este mês, no dia 15 de Agosto, 1 ano que os Talibãs ocuparam Cabul, a capital do Afeganistão, e que a vida de milhares de mulheres mudou! 

A vida das mulheres Afegãs depois de 1 ano sob o Talibã

 

O que mudou na vida das mulheres afegãs após a volta do Talibã? 

Após os ataques de 11 de Setembro no final de 2001, os Estados Unidos invadiram o Afeganistão e melhoraram a vida de milhares de pessoas, principalmente das mulheres pois começaram a viver com mais liberdade e ganharam mais direitos! 

No dia 15 de Agosto de 2021 os EUA retiraram as suas tropas do Afeganistão e desde então a vida de milhares de mulheres regrediu pois voltaram a ser privadas dos seus direitos – “gender apartheid”.  

Isoladas da vida pública pelas restrições ao trabalho e aos estudos, limitadas nas suas deslocações e na maneira como se vestem, as mulheres afegãs sofrem o peso do retorno dos talibãs ao poder. Muitas mulheres foram expulsas da maioria dos empregos públicos ou receberam grande cortes salariais e ordens para ficarem em casa. 

Recentemente, um grupo de jornalistas do sexo feminino está a dar voz a mulheres Afegãs para sensibilizar o mundo e pedir ajuda. Ser jornalista neste pais é um grande risco pois correm um maior risco de serem assassinadas por abordarem temas que querem ser ocultados. 

Zahra Joya era das poucas jornalistas de sexo feminino no Afeganistão. Em Novembro de 2020, criou um site de notícias – Rukhshana Media – que conta a história de mulheres do Afeganistão, escritas por mulheres residentes no pais. 

Cresceu durante o regime talibã na década de 1990 e foi forçada a se vestir de menino para poder ir à escola. “O Talibã fechou todas as escolas femininas e só os meninos podiam ir. O que eu mais queria era estudar e então, inscrevi-me na escola com o nome de “Mohammad” e vestia-me de menino” – revelou Joya. 

Rukhshana recolheu o testemunho de mulheres Afegãs e partilhou com o mundo o que está a mudar neste país desde a tomada dos Talibãs. 

 

 

Mulheres são obrigadas a utilizar burca (Hijab) 

“Estava ir para casa sozinha quando entrei num beco e encontrei dois talibãs armados. Eles gritaram que eu era uma prostituta porque estava sem burca e exigiram saber por que eu a estava a usar. Eles apontaram as armas à minha cara, e um deles estava com o dedo no gatilho. Baixei a cabeça e disse: “Não vai voltar a acontecer”. – Samana  

“Estamos a ser obrigadas a usar o hijab preto para poder entrar na universidade. Quando entramos ficamos sob vigilância constante. Há avisos de hijab nas portas e paredes.” – Sabira 

 

 

Meninas não podem estudar 

Um dia antes do início do ano letivo, a 23 de março de 2022, foi anunciado que as meninas tinham de ser expulsas das escolas secundárias. 

“Sonhava ir para a universidade e tornar-me médica” – Mahvash, 17 anos  

“Quando me disseram que não tinha autorização para ir à escola, fiquei deprimida e sem motivação para trabalhar e estudar em casa. (…) Preciso encontrar forma de continuar a aprender, apesar de ser proibido as meninas irem à escola. Agora estudo inglês em casa para me poder candidatar a uma bolsa de estudos, e talvez algum dia estudar ciência da computação no estrangeiro.” – Mah Liqa, de 14 anos 

 

Mulheres viúvas não podem trabalhar 

“Perdi o meu marido num ataque aéreo há cinco anos e, antes que o Talibã invadisse o Afeganistão, eu trabalhava e vendia comida de rua para sustentar os meus filhos. Agora não tenho autorização para trabalhar. Os Talibã dão às viúvas um cartão para reivindicar um saco de trigo, três litros de óleo de cozinha e 1.000 afegãos [9 libras] a cada três meses, e isso não é suficiente para sustentar a nossa família. Moro com outras três mulheres viúvas e os seus filhos, a nossa renda é de 40.000 afegãos por mês e não temos como pagá-la. Se não trabalharmos , vamos passar fome.” – Sakina 

“Até os Talibã nos invadirem, eu era polícia. O meu marido tinha falecido, mas eu conseguia sustentar as minhas duas filhas com o meu salário, e podia dar-lhes tudo o que precisavam. Agora perdi meu emprego e os Talibãs estão a matar mulheres que trabalhavam nos serviços de segurança. (…) Nos últimos sete meses, tive de pedir dinheiro nas ruas para alimentar minhas filhas. (…) – Maryam 

 

 

Mulheres não podem viajar sozinhas 

As mulheres não podem viajar sozinhas numa distância superior a 72km. Precisam de ser acompanhadas por um familiares masculinos. 

“Estava em viagem com o meu irmão e fomos parados num centro de controlo por soldados Talibã. (…) Quando o meu irmão disse que não tínhamos os nossos bilhetes de identidade, eles ficaram furiosos (…) Fomos obrigados a ficar duas horas sentados e depois tivemos de pedir à nossa família para trazer os nossos documentos para podermos regressar a casa.” – Zarlasht 

 

Mulheres são banidas de competições desportivas 

O vice-chefe de comissão cultural do Talibã declarou que o desporto feminino não é apropriado nem necessário e baniu as mulheres de competições. 

“Tive que parar de jogar e fiquei muito triste. Quando olho para as minhas roupas, chuteiras e bola, choro.” 

 

Mulheres não podem ter carta de condução 

A 03 de Maio de 2022, os instrutores foram obrigados a deixar de dar aulas de condução a mulheres e não podem emitir mais cartas de condução.  

Na Peryod pretendemos continuar a dar voz a estes temas com esperança de um dia conseguirmos ter um mundo mais justo e livre para todos!  

 

 

 

HERSTORY Makes History 31, Agosto 2022