Oriana Fallaci

Uma jornalista e autora italiana, famosa pelas suas entrevistas longas, agressivas e reveladoras

Oriana Fallaci

 

Oriana Fallaci foi uma mulher corajosa e talentosa que cativou gerações inteiras com a sua incrível escrita. É também uma das jornalistas mais influentes de todo o século XX, marcando um antes e depois na comunicação social. Os seus 12 livros foram traduzidos em mais de 20 línguas e estima-se que pelo menos 20 milhões de exemplares das suas obras tenham sido vendidas em todo o mundo.

Oriana destacou-se essencialmente por ser uma entrevistadora destemida, que trazia à tona os segredos de figuras públicas. Ela é um dos ícones do quarto poder e demonstrou que o jornalismo exercido com princípios claros é capaz de mudar os acontecimentos.

Pelo seu gravador, passaram vários dos personagens mais influentes do século XX. Diz-se que todos eles a odiavam e que isto era, para ela, um sinal de que estava a fazer as coisas bem.

 

“The moment you give up your principles, and your values, you are dead, your culture is dead, your civilization is dead. Period.”

-Oriana Fallaci-

Além do seu trabalho jornalístico, Oriana foi também uma escritora soberba.  O seu estilo direto, sensível e divertido cativou várias gerações. Abordou vários tipos de temas: desde a opressão da mulher no mundo muçulmano, passando pela história de Muhammad Ali e do Vietnã, até a viagem à Lua.

Especificamente em relação à viagem à Lua, uma das histórias mais famosas de Oriana Fallaci ocorreu durante a jornada do Apolo 12. Diz se que o comandante da viagem, Charles Conrad, pediu para que o aconselhasse sobre a frase que poderia dizer quando o satélite aterrasse. Como Conrad era um homem baixo, Fallaci aconselhou-o  a dizer: “Pode ter sido um pequeno passo para Neil, mas foi um grande passo para mim”.

 

Oriana Fallaci nasceu em Florença (Itália) a 29 de Julho de 1929. Diz-se que a sua mãe, Tosca Cantini tinha uma personalidade muito forte e o seu pai, Edoardo Fallaci, era um um esquerdista radical. O pai queria muito ter tido um filho homem e como isso não aconteceu, criou-a como tal. Ensinou-a a disparar, caçar, e resistir a situações de dor sem se queixar. Quando o fascismo invadiu Itália, Edoardo e a sua filha, com apenas 13 anos de idade, juntaram-se à resistência. O seu pai foi preso e torturado pelos nazis durante a ocupação de Florença. Oriana, entretanto, serviu como mensageira humana para a resistência.

Quando a guerra terminou, o exército italiano atribuiu-lhe uma medalha de honra pela sua coragem. Na altura, Oriana Fallaci tinha apenas 14 anos de idade. Era uma excelente aluna e, graças a uma bolsa de estudo, pôde estudar medicina. No entanto, o seu destino levava-a por outros caminhos. Ela acabou por se apaixonar pelo jornalismo e antes dos 20 anos, já era devota à profissão.

 

 

Fallaci trabalhava para vários jornais pequenos. No final  dos anos 50, começou a escrever para a revista L’Europeo, que a enviou para os Estados Unidos para escrever notas sobre a indústria do entretenimento. Desta experiência, nasceu o seu primeiro livro The Seven Deadly Sins of Hollywood.

Nesta viagem, Oriana sentiu que pertencia aos Estados Unidos e mudou-se para o país, foi viver para Nova Iorque no início dos anos 60.

Mais tarde, embarcou numa série de viagens ao Oriente, que deram origem às suas obras The Useless Sex and Penelope Goes to War. Posteriomente surgiu uma série de artigos e um livro sobre os projectos espaciais da NASA.

Em 1967, foi designada como correspondente de guerra e começou a cobrir o conflito do Vietname. Isto deu origem a várias crónicas e a um dos seus livros mais famosos: Nothing, and So Be It

A partir deste momento, ficou conhecida por todo o mundo. Cobriu vários protestos sociais. Durante o massacre que teve lugar na Plaza de las Tres Culturas no México, foi baleada várias vezes. Algumas pessoas acreditaram na sua morte e mandaram-na para o necrotério até que alguém se apercebeu que ela ainda estava viva e a levou para um hospital.

 

One woman, one legend

Nesta fase seguinte da vida de Oriana Fallaci, teve início a era das suas grandes entrevistas. Pode-se dizer que ela conseguiu sentar-se à mesa com os homens mais poderosos do mundo naquela época.

Um dos seus memoráveis diálogos foi o que teve com o Ayatollah Khomeini, no qual o interrogou sobre o seu tratamento das mulheres e tirou, em sua presença, a roupa que havia sido obrigada a usar para a entrevista. A maior parte deste trabalho está gravada no livro Interview with History.

 

Em 1973, quando estava a fazer uma das suas entrevistas, conheceu Alexandros Panagoulis, um herói grego que tinha lutado na ditadura, e os dois apaixonaram-se perdidamente.

A relação terminou três anos mais tarde, quando Panágulis morreu. Este acontecimento marcou profundamente a vida de Oriana Fallaci, que escreveu A Man. Ela continuou a colecionar êxitos, mas anos mais tarde refugiou-se no seu apartamento em Nova Iorque.

Foi aí que Oriana foi apanhada de surpresa pelo cancro do pulmão, e também pelo 11 de Setembro. Em relação a este acontecimento, escreveu alguns artigos tão radicais contra o Islão que três governos decidiram processá-la por xenofobia.

Em 2006, em segredo, pediu para ser levada para a sua cidade natal, Florença, porque desejava morrer na cidade onde nasceu. Dez dias depois, a 15 de Setembro, Oriana Fallaci faleceu, deixando para trás um legado jornalístico sem paralelo.

 

 

 

HERSTORY Makes History 08, Agosto 2022